Usar ou não usar maquiagem?

Foi no início da pandemia e numa aula no google meet, quando um colega disse "seria ótimo se aqui também tivesse filtro". Aquilo ficou martelando por dias.

Tal hora vira muleta. Tal hora você só posta selfie se for com filtro. Tal hora ele sai diretamente dos stories pro feed. Tal hora raramente ver a textura da própria pele é confortável. Pensei nisso por dias. Pensei sobre autonomia. E parei na maquiagem.


Compartilho aqui, um processo que tem sido enriquecedor pra mim: parei de usar maquiagem a uns dois meses. A relação que tenho/tive com ela sempre foi problemática. Por vezes não entendia porque eu, lida como mulher, tinha que usar para ser aceito tanto por homens, tanto por mulheres. Outras vezes me incomodava a mudança de textura. Decidi parar. A relação que estou construindo com a casca que é meu corpo e minha pele, mudou. Aquele "nossa, vou colocar filtro porque estou acabado" deixou de ressoar para dar vez ao "devo ter comido muita coisa gordurosa, e vou maneirar" ou "não estou descansando o suficiente".


E se nos ensinássemos a entender os sinais do corpo? E se nos ensinássemos a habitar esse corpo como ele é? Sem as expectativas alheias ou a criação de desejos que por vezes não são nossos, mais induzidos?


A pele é o maior órgão que temos, e o que a gente mal dá atenção (DE FATO), mesmo com todo esse boom sobre autocuidado. Me vi num ciclo de ignorância sobre como ela reage tanto a fatores externos, internos ou psicológicos. Me vi assistindo diversos tutoriais sobre o que usar e o que não usar. Mas é coisa demais. É produto demais! E voltava a estaca zero.


Foi muito desconfortável. Começar a se conhecer é um processo que não finda e que causa muito desconforto. A gente sempre opta dar muita importância para o que o outro faz, indica. E pra quem não tem como pagar um dermatologista fica muito pior. Então meu processo tem sido na marra mesmo. Notando o que mais me causa espinha, o que limpa e reduz as inflamações, o que ajuda a hidratar e quando não hidratar.


Nesse processo, notei que laticínios aumentam minha espinhas. Que dormir muito tarde e estresse, também causam não só espinhas, mas uma necessidade de mais hidratação (por produtos externos ou para beber mais água).


Sei que não tenho todas as respostas, e já me conformei que enquanto estiver nesse corpo, e nessa pele eu precisarei estar de olhos e coração bem abertos não só para o tal do amor próprio, mas para não cair nas armadilhas que tanto nos induzem. Usar ou não usar maquiagem depende muito mais de movimentações internas, de propósitos, do que uma resposta de sim ou não. No final das contas é sobre autonomia de escolha. De saber se escolheu algo por conhecimento ou por indução.


Esse texto não é uma resposta pronta, é até confuso, eu sei. Mas é um texto para eu me lembrar que a escuta não se faz só pela audição. Que é preciso entender o que se quer, porque quer, e porque fazer tal coisa. E a resposta nunca será aquela marca que fulane apresentou, ou essa postagem. Será no pensamento, será, talvez, por tentar ser menos cruel consigo mesme. Será até pelo o que tanto pregam hoje nas redes sociais, mas que no final te indicam mais um produtinho INCRÍVEL: o amor pelo seu corpo e todas as marcas que ele tem, seja internas ou externas.


de mim pra ti

abraço sem braços, anie.

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